Depois de quase vinte anos praticando foto-sub, adquirimos alguma experiência e aprendemos alguns "macetes", que acreditamos possam ser úteis para outros fotógrafos. As dicas, classificadas nos itens abaixo, são uma tentativa de repassar essa experiência. Elas são periodicamente revisadas, cada vez mais detalhadas e o conteúdo anterior transferido para "Dicas Anteriores".
Comece perguntando o número de série. Quando do lançamento da série 3.000.000, a Nikon decidiu
corrigir uma fragilidade do sistema de vedação dos modelos de série 2.000.000, introduzindo colares
inoxidáveis nos furos que atravessam o corpo da câmera, como o furo da bateria. Aproveite para olhar, por esse
furo, se a peça plástica onde se fixa o contato positivo da bateria não está quebrada. Essa
peça se quebra com facilidade, principalmente quando se usa a bateria longa de 3 volts. Embora seja uma peça
simples, sua substituição exige a desmontagem de quase toda câmera, a custo razoavelmente alto. Outro
ponto de manutenção complicada é o visor da câmera: verifique se há sinais internos de
cristais de sal nos lados dianteiro e traseiro.
A marca mais visível de que uma Nikonos V já sofreu alagamento costuma ser o aparecimento de ferrugem no
conjunto de cortinas do obturador, principalmente a palheta mais baixa do conjunto dianteiro e todo conjunto traseiro (por
baixo da placa de pressão do filme). Outra marca importante pode aparecer no contador. Avance o contador para ver se
aparecem sinais de ferrugem ou números apagados. No soquete de encaixe do cabo do flash, os pinos de contato
também merecem especial atenção, pois é um ponto de possível alagamento, devido à
facilidade com que o o-ring torce ao se conectar o cabo. Uma conseqüência drástica do alagamento pode ser a
corrosão dos trilhos de assentamento do fotograma, que ocorre quando o filme amolece com a água e não
é retirado rapidamente. Deve ser bem inspecionado porque se o fotograma assentar fora de posição, mesmo
que por uma fração de milímetro, estará perdido o foco preciso da câmera.
Alguns sinais indicam o cuidado que o proprietário ou seu agente de manutenção tiveram com o
equipamento. Observe se os o-rings são guardados separadamente, pois, se armazenados na câmera, podem sofrer
deformação com risco de alagamento. A Nikonos V deve ser revisada anualmente. Uma câmera que fica longo
tempo sem manutenção cristaliza sais nos o-rings internos. Um dos pontos onde esse problema se manifesta mais
prematuramente é o botão disparador, endurecido e com dificuldade para retornar. A graxa de
lubrificação desse o-ring e dos demais o-rings internos era, há cerca de cinco anos, branca opaca como
hipoglós e, atualmente, é caramelo. Se o proprietário ainda não retirou – o que é
aconselhável, para evitar corrosão – retire a tampinha plástica que cobre a alavanca de avanço,
para expor o parafuso de fixação. Remova o parafuso e todo o conjunto de alavanca e dial de velocidades. Observe
a graxa do o-ring: se for branca é provável que a câmera nunca tenha sofrido manutenção.
Mesmo que a câmera tenha sofrido manutenção, pode ter sido feita por uma oficina não especializada
em equipamento sub, eventualmente sem cuidado com o sistema de vedação. Um exemplo comum é o que ocorre
quando é removido o conjunto rebobinador com uma ferramenta que passa muito junto da sede de vedação da
tampa traseira, riscando-a. Observe se há algum riscado no canto superior esquerdo da sede da tampa, comprometendo sua
vedação para mergulhos a maiores profundidades. Uma boa prática de confiabilidade é fazer
manutenção do equipamento antes de colocá-lo a venda. Procure saber do vendedor se foi feita e onde foi
feita. Em São Paulo existe a T. Tanaka, autorizada em reparo de qualquer equipamento Nikon e, no Rio de Janeiro, a
Azumarinho é especializada em manutenção de equipamentos de foto-sub.
Após a inspeção externa, peça para fazer testes de desempenho. Para evitar dúvidas,
leve baterias novas (duas A76 ou LR44, de 1,5 volt). Remova a lente e opere a câmera algumas vezes, observando o obturador.
Lembre que o circuito só liga quando o contador chega em "1". Então mude a velocidade para "A", tape o furo da
lente e dispare; o obturador deve abrir, mas não fechar. Volte para “M90”, para liberar o obturador. Se houver
oportunidade, use um flash para testar o TTL: primeiro tape o furo da lente e observe o flash disparar FULL, com recarga
demorada; depois aponte o flash para o furo da lente e dispare; observe que o disparo do flash é menos potente e sua
recarga mais rápida.
Observe cuidadosamente as dicas aqui relacionadas. Uma câmera que tenha sido alagada pode operar ainda por algum
tempo, após uma limpeza rápida em água doce. Mas, se não for revisada imediatamente, um problema
maior pode estar apenas esperando acontecer. Este, geralmente, vem na forma de um travamento aparentemente sem motivo.
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Estamos vivendo um momento de florescimento de câmeras digitais em caixas estanques. Entretanto, ainda existe uma
dificuldade não totalmente resolvida com esses equipamentos: a conexão de um flash externo submarino tradicional.
Aqui não estamos nos referindo à dificuldade ou impossibilidade de obter TTL de um flash externo com
câmeras digitais – assunto facilmente contornável, já que se pode ver imediatamente o resultado da foto –
mas à ligação física entre os dois equipamentos.
Das digitais compactas, não-reflex, atualmente as que encontram no mercado a maior diversidade de caixas estanques
são as Nikon Coolpix, as Canon Power Shot, as Sony Cyber Shot, as Olympus Camedia e, em menor escala, Minolta Dimage,
Fuji FinePix e Kodak Easy Share. Para as caixas destas câmeras, em sua grande maioria, não existe
solução a cabo elétrico para conectar um flash externo. Neste caso, pode-se usar um flash dotado de
função escravo (slave), capaz de disparar ao perceber a luz do flash interno. São dois os problemas desta
solução. Em primeiro lugar, o pequeno flash interno, muito frontal, é capaz de causar um mundo de
reflexão em partículas (backscatter), principalmente em águas mais turvas, como as brasileiras. Em
segundo lugar, os sensores slave, embora funcionem bem para a luz refletida em fotos de aproximação ou fotos
noturnas, não têm sensibilidade suficiente para perceber luz refletida do flash primário (interno), quando
os dois estão paralelos, em ambientes amplos e bem iluminados, ou seja, nas condições da foto de
distância diurna. Uma solução barata e de efetividade razoável é utilizar um difusor frente
ao flash primário. Isso tanto ajuda a diminuir o backscatter como a aumentar o ângulo de difusão da luz,
de forma a alcançar mais facilmente o sensor do flash externo. Outra solução é utilizar um “sensor
slave externo”, mesmo com flashes sem a função escravo. Esses sensores, que podem ser ligados ao conector de
cabo do flash, são muito mais sensíveis que os sensores internos e podem ser posicionados mais à frente
do flash, para melhorar sua recepção. Infelizmente, o único sensor sub conhecido no mercado é
produzido pela Ikelite e só pode ser utilizado com flashes dessa mesma marca.
Mas a solução mais efetiva é o uso de um cabo de fibra óptica interligando a frente do flash
primário com o sensor do flash externo. Normalmente a primeira extremidade do cabo fica numa máscara negra, que
é colocada sobre a caixa estanque, cobrindo a emissão de luz do flash interno. Dessa forma, o flash externo
opera conectado, com as mesmas facilidades de uma conexão elétrica (à exceção do TTL que
continua sendo uma incógnita para câmeras digitais) e sem backscatter do flash primário.
Para as câmeras digitais reflex (DSLR), a conexão é feita por cabo elétrico. O grande problema
está na falta de padronização entre o circuito de controle das câmeras (D-TTL, e-TTL, i-TTL etc) e
os circuitos dos flashes, levando os fabricantes de caixas estanques a soluções, por vezes, estapafúrdias.
Este artigo é, principalmente, um alerta aos proprietários de caixas DSLR quanto à verificação
necessária do conector de flash adotado pelo fabricante. Temos informações de conectores que vieram de
fábrica completamente curto-circuitados, assim como conectores extremamente simplificados que não exploram o
potencial da câmera ou mesmo conectores danificados por falta de cuidado na montagem. Parece-nos que, enquanto o
padrão de flash digital é “terra de ninguém”, os fabricantes de caixas, em geral, não estão
preocupados com a qualidade dos respectivos conectores e com as informações pertinentes. A Sea&Sea, por exemplo,
adota a solução simplificada. Dos cinco pinos do conector Nikonos de suas caixas digitais DX, apenas dois
são ligados: o de terra e o contacto X, suficientes para fazer o flash disparar sob o comando da câmera. É
uma solução conservadora, que visa evitar conflito entre os circuitos de flashes dos mais variados fabricantes
e o circuito da câmera. Entretanto, dispensa uma função valiosa, que é o reconhecimento, pela
câmera, de que um flash está conectado e pronto para disparar (função Ready). Além de
indicar esse estado no visor, essa função limita a velocidade do obturador à faixa de sincronismo de
flash, o que é bastante útil na foto sub. Já testamos uma Nikon D-100 com o pino Ready conectado, com
flashes de três marcas diferentes, sem nenhum problema de conflito.
Assim, somos de opinião que a grande maioria das caixas para DSLR pode operar com três pinos ligados no
conector (bulkhead): terra (T, na fig), contacto X (X na fig) e Ready (R na fig), sem conflitos elétricos. Eventualmente,
até os dois pinos de TTL podem operar, dependendo da compatibilidade entre o circuito da câmera e o circuito do
flash.
Aos proprietários de caixas estanques para DSLR com soquete tipo Nikonos, sugerimos verificar, no conector do cabo
de flash (Bulkhead) e na sapata de encaixe no Hot Shoe, quais os pontos estão interconectados, utilizando um
multímetro com detector de continuidade elétrica. Os outros dois pontos não identificados na figura
comandam o TTL (Stop e Monitor). Se a câmera for uma Nikon (que só aceita D-TTL), é muito importante que
NÃO estejam ligados, para evitar conflito de circuitos. Uma D-100, por exemplo, fica travada, sem liberar o disparador,
se um flash for ligado com esses pontos interligados entre si.
Na Azumarinho podem ser feitos tanto o serviço de identificação dos contactos como o serviço
de interligação dos mesmos, de acordo com a compatibilidade do flash a ser utilizado com a caixa.
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Já citamos, nas "Dicas Anteriores", a Relação Áurea,
que divide a imagem em terços, criando quatro Pontos Fortes. A composição costuma se revelar forte,
dramática por vezes, quando ao menos um dos elementos principais de composição é colocado num
Ponto Forte. Assim, por exemplo, se um peixe é um elemento importante de uma foto de distância, poderá
ser colocado num dos Pontos Fortes. Mas, se vamos fotografar um peixe com grande aproximação, seu olho é
um elemento importante, que pode melhorar a composição quando colocado num dos Pontos Fortes.
Enquanto não desenvolvemos sensibilidade para a composição, tendemos a centralizar o elemento
principal, região que se imagina como o local adequado para instalar o ponto forte da foto. Não que isso seja
proibido, mas essa composição nos força a criar uma simetria em todas as direções, o que
não costuma ser muito fácil, além de, por vezes, enfraquecer o assunto principal, tornando a foto
tediosa e sem atrativo definido. Outras vezes, tentando enquadrar o maior número de pessoas e objetos disponíveis,
até o assunto principal é esquecido.
Essa falta de atratividade do centro da imagem para elementos fortes de composição é a razão
pela qual sempre criticamos os equipamentos que dependem do ponto central para ajustes. É o caso, por exemplo, dos
sensores de foco automático de primeira e segunda gerações, que só são capazes de focalizar
no centro do visor, quando, na realidade, o elemento principal, que convém estar no melhor plano de foco, está
fora do centro. Está num Ponto Forte!
São quatro os Pontos Fortes. Numa próxima Dica vamos discutir qual deles escolher na composição.
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Título: Água Viva: delicadamente perigosa.
Local: Fernando de Noronha.
(referência de nosso banco: AN.00-050)
Dados técnicos: câmera Nikon N-8008s em caixa estanque Aquatica 80, objetiva
60 mm, exposição manual f8-125, sem flash, filme Fujichrome Provia 100.
Fator-chave: Por serem transparentes, as águas vivas são difíceis de
serem iluminadas. Por sorte, este modelo estava virado quase de cabeça para baixo, o que propiciou iluminação
natural de seus cílios, mantendo, ao mesmo tempo, fundo escuro, porque a câmera não precisou apontar para
o espelho d'água.
Dificuldade técnica: focalizar! As águas vivas se movem constantemente, o que
exige muita experiência com o equipamento para obter foco preciso. No presente caso foi utilizado foco automático,
embora, para distâncias menores, poderia ser necessário foco manual.
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