Quando nos dizem "para esta condição de luz, use abertura
f8", o que significa esse número? Será que alguém "chutou"
uma escala arbitrária? Na verdade, esses "fatores f" resultam da divisão
entre a distāncia focal da objetiva e o diāmetro da abertura do diafragma. Será que o maluco que
inventou isso tinha alguma razão para fazê-lo? Tinha. Porque, ao correlacionar a
abertura com a distāncia focal, foi possível usar os mesmos fatores f para todas as
objetivas. Isso ocorre porque, quando se DUPLICA o comprimento (distāncia focal) de uma objetiva,
QUATRO VEZES MENOS luz atinge o filme. Ao mesmo tempo, quando se DUPLICA o diāmetro do diafragma,
QUATRO VEZES MAIS luz atinge o filme. Suponhamos, para efeito de raciocínio, que a primeira
objetiva era de 50 mm e a segunda de 100 mm. Portanto, quando se divide o comprimento focal pelo
diāmetro do diafragma, em cada caso, obtém-se a mesma exposição e o mesmo
número de fator f. O mesmo raciocínio vale para qualquer outra objetiva.
Conveniente, não? Para uma objetiva ser capaz de dar f1, seria preciso
construí- la com diāmetro igual ao comprimento, o que não é nada
fácil. Porisso, as objetivas mais claras disponíveis no mercado são f1.4
ou, na melhor das hipóteses, f1.2.
Por conveniência, os fabricantes de
equipamentos escolhem uma escala de fatores f de forma que cada número representa o
dobro de exposição do anterior. Mas isso não significa o dobro da abertura
do diafragma, porque nesse caso a exposição seria quatro vezes maior (depende da
ÁREA do furo). Porisso, as aberturas - e, por consequência, os fatores f -
aumentam não com o fator 2 mas com a raiz quadrada de 2 (1,4). Daí a razão
dos números f1.4 - f2 - f2.8 - f4 - f5.6 - f8 - f11 - f16 - f22, que duplicam a cada
dois saltos.
Nota:Para evitar a confusão acima, preferimos o termo
"fator f" ao termo "abertura" (traduzido do inglês aperture).
Tanto faz! A pergunta é apenas provocativa. Mas vamos dar nossas
razões pelas quais preferimos raciocinar com a velocidade, da mesma forma que, nas
dicas anteriores, mostramos nossa preferência por fator f sobre abertura.
Quando se usa o termo "abertura", pensa-se em tamanho do furo do diafragma, enquanto que
"fator f" é o inverso disso. Se por um lado é difícil visualizar fisicamente
o fator f, por outro lado saber que seus valores são inversos à abertura facilita muito
correlacionar as grandezas que definem a exposição. Assim, quando a sensibilidade ASA
do filme aumenta, o fator f também tem que aumentar.
Existe uma impropriedade
na linguagem fotográfica, quando se diz que a velocidade do obturador é uma
fração de segundo (digamos, 1/125 s). Isso é o tempo que o obturador
leva para percorrer todo o fotograma. Preferimos raciocinar com a própria velocidade. No
exemplo anterior, a velocidade seria 125 (embora desnecessário, o significado físico
desse número é: "o obturador seria capaz de percorrer 125 fotogramas em 1 segundo").
Agora, também, é mais fácil fazer a seguinte correlação: quando
a sensibilidade ASA do filme aumenta, a velocidade também tem que aumentar.
Um resumo para facilitar a memorização: para reduzir a exposição,
posso aumentar a velocidade ou aumentar o fator f. Portanto, para manter a
exposição, quando o fator f aumenta a velocidade deve ser diminuida. Para cada
exposição (isto é, para cada sensibilidade ASA e nível de iluminação)
existe um conjunto de pares "velocidade-fator f" que atende. Esse conjunto é o valor de
exposição ou EV. Por exemplo, para uma paisagem bem iluminada e filme de
100 ASA, temos EV13, que corresponde a pares como f8-125 ou f11-60 ou f5.6-250 ...
Vimos nas dicas anteriores que, para cada exposição, existe um
conjunto de pares "velocidade-fator f" que atende.
Por exemplo, para uma paisagem bem iluminada e filme de 100 ASA, podemos usar os pares 125-f8 ou
30-f16 ou 500-f4... Mas qual desses pares "casa" melhor? Qual devo usar? O que se ganha
fechando o diafragma? De fato, as câmeras modernas podem atingir velocidades tão altas,
como 8.000, que seria possível controlar a exposição sem ter um diafragma na
lente, mantendo-a sempre aberta. Afinal, seria uma economia para o fabricante e uma
simplificação para o fotógrafo! Mas este é um jogo típico de
perde-ganha, que precisa ser jogado. O que se perde de exposição ao fechar o diafragma
ganha-se em profundidade de campo, que é a extensão do campo fotografado que fica em
foco aceitável. Para evitar uma explicação muito teórica da
variação da profundidade de campo com a abertura do diafragma, vamos fazer uma analogia
com o olho humano. Nossa visão é muito mais aguda com iluminação plena
do que na penumbra. Isto é, temos maior campo em foco à nossa frente com a pupila mais
fechada do que aberta. Pessoas que trabalham em bancada com peças muito pequenas necessitam
iluminação mais forte. Da mesma forma, as câmeras ganham em profundidade de
campo à medida que sua "pupila", ou melhor, seu diafragma, se fecha.
Podemos agora fazer a pergunta reversa: o que se ganha trabalhando com velocidades altas?
Ocorre que, se a velocidade do obturador for muito baixa, não será possível
registrar de forma nítida, no filme, um objeto que se move. Pior ainda se o que se move
é a própria câmera, como costuma acontecer no ambiente-sub. Nesses casos, toda
a imagem se revelará "borrada" ou "tremida". Assim, existe um compromisso
entre a velocidade e o diafragma. O par 30-f16 oferece uma grande profundidade de campo, mas não
"congela" um objeto em movimento. O par 500-f4 é equivalente ao anterior do ponto
de vista da exposição, reduz o risco de imagem "tremida", mas oferece baixa
profundidade de campo. Costuma-se dizer que a menor velocidade compatível com o uso da
câmera na mão está em torno de 125. Mas isso depende muito de quão
crítico é o fotógrafo com a qualidade da imagem. Alguns fotógrafos de
natureza não admitem qualquer fotografia de iluminação natural sem o uso de
tripé. Não é possível ser tão exigente com a foto-sub, onde a
disponibilidade de luz é muito baixa, e o uso de tripé, muito difícil.
Portanto, a resposta à nossa pergunta original é: depende da situação.
Como regra prática, podemos tentar partir sempre de f8, que é um valor em geral
compatível com a iluminação a médias profundidades e que oferece boa
profundidade de campo. A velocidade que casa será consequência.
Nas Dicas Anteriores, tratamos dos fatores que definem a exposição.
Agora vamos falar da exposição automática, seja à luz natural ou à
luz de flash, controlada por fotômetros.
Os fotômetros são calibrados para
objetos de refletividade média, num tom chamado cinza-padrão (que a Kodak classifica
como cinza de 17%), aproximadamente igual à palma de nossa mão.
Para o fotômetro, todos os objetos são cinza-padrão, de forma que, quando
tentamos fotografar, em automático, um objeto muito escuro (classicamente, um gato preto num
lençol negro), ele se comporta de forma inesperada: avisa à câmera - inocentemente
mantida em automático - para abrir bastante o diafragma, de forma a registrá-lo no
filme como cinza. Inversamente, isso também ocorre com objetos muito claros (classicamente
um gato branco em um lençol branco). Eis, aí, o paradoxo da exposição
automática: para um objeto negro ou de baixa refletividade, é preciso "compensar" a
exposição automática, fechando um pouco o diafragma (e não abrindo, como
poderia sugerir o senso comum), de forma a mantê-lo negro. Para um objeto branco ou muito
refletivo, é preciso "compensar", abrindo um pouco o diafragma, de forma a mantê-lo
branco.
Em resumo, todo fotômetro é calibrado para cinza-padrão. Qualquer objeto
cuja refletividade seja diferente dessa exige, a rigor, compensação de exposição,
para que possa ser registrado em seu tom natural. No mergulho, o azul do mar, usado como pano de
fundo, tende a sair claro demais, sendo interessante subexpor um pouco para obter aquele tom de
azul mais profundo.
Na foto convencional, o uso do flash é exceção, mas na
foto-sub é a regra. Você sabe, o flash é rápido! Enquanto a cortina da
câmera abre-fecha num tempo em torno de 1/100 s, o flash se acende e apaga em menos de 1/1000 s,
ou seja, ao menos dez vezes mais rápido. Por isso, quando se fotografa usando apenas a luz
do flash, a velocidade do obturador não tem influência. Agora só importa a
abertura do diafragma, além da potência do flash e da distância a que ele está
do objeto. Na verdade, não se pode selecionar uma velocidade qualquer, porque acima de certo
valor perde-se a sincronização do flash. Quando um obturador de cortinas é
disparado, abre-se uma primeira cortina, o fotograma é exposto à luz, e fecha-se uma
segunda cortina. Se, entretanto, a velocidade é muito alta (no caso da Nikonos V, acima de
90, que é a velocidade de sincronização), a segunda cortina persegue a primeira,
deixando apenas um vão estreito entre elas, que "varre" a extensão do fotograma. O
flash dispara quando esse vão mostra apenas uma parte do fotograma, deixando o restante
escuro. Quanto mais alta a velocidade de sincronização que a câmera é
capaz de oferecer, maior sua flexibilidade para compor a luz natural com a luz do flash.
Quando uma Nikonos V está sem bateria e com o botão seletor de velocidades fora
das posições B ou M90, assume velocidade de 1.000, muito acima, portanto, da velocidade
de sincronização. Nesse caso, o flash dispara quando o vão entre as cortinas
já passou, e a foto fica totalmente escura. Quando um filme inteiro revela-se negro, desconfie
disso!
A correlação entre o diafragma e a distância depende da potência
luminosa do flash e é dada pelo número-guia (NG), normalmente referido a ASA 100.
Pode-se calcular o fator f dividindo o NG do flash pela distância. Por exemplo, se NG = 11,
deve-se usar f11 para a distância de um metro e f5.6 para a distância de 2 metros.
Existe uma grande discussão a respeito da diferença entre o NG no ar e no mar.
A própria turbidez da água altera a propagação da luz, afetando o NG.
Mas é regra razoavelmente bem aceita que o NG para um mar de águas claras seja um
terço do NG no ar. Assim, por exemplo, o flash de NG = 33 no ar equivale a NG = 11 no mar.
Queremos calcular a exposição considerando duas fontes de luz
iluminando o mesmo objeto. Podemos considerar a luz solar e um flash, dois flashes ou, mesmo, a
luz solar e dois flashes. Em todos os casos, o raciocínio é o mesmo. Vamos admitir
inicialmente dois flashes, ambos iguais (seja NG = 8) e à mesma distância do objeto
(um metro). O primeiro flash exige que se use f8. Mas o segundo flash dobra a potência de
iluminação e, portanto, exige que se reduza a exposição à metade.
Como vimos anteriormente, isso é conseguido "pulando-se" um ponto da sequência
de fatores f, isto é, utilizando-se f11. Induz-se, daqui, a primeira regra prática
para cálculo da exposição com fontes múltiplas de luz:
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . f8 + f8 => f11 . . . . . .
(e não f16)
Suponhamos, agora, que a luz solar, à mesma velocidade de obturador usada antes,
indique no fotômetro f11, que tem que se compor com o f11 dos dois flashes. Vale a mesma
"matemática" anterior. Portanto, f11 + f11 => f16, que é o novo fator f a
ser fixado na câmera. E assim, duas a duas, podem ser compostas quaisquer fontes.
Caso as fontes não sejam iguais (isto é, se exigirem diferentes fatores f), é
só compor como se fossem iguais e reajustar pela diferença existente.
Segundo Henri Cartier-Bresson, "A composição deve ser uma de nossas preocupações
constantes, até nos encontrarmos prestes a tirar uma fotografia... e, então, devemos ceder lugar à
sensibilidade". Queremos, aqui, analisar quais as regras de composição que antecedem ao momento fotográfico.
Dessas, talvez a mais universal seja a chamada "Regra dos Terços", usada desde a Grécia Antiga.
A fotografia, tal como outras artes, é algo subjetivo. Entretanto, existem alguns padrões visuais de beleza
que parecem universais. Os gregos clássicos sabiam disso e tornaram tão objetivo esse conceito que o relacionaram
à matemática. Assim, a partir de Pitágoras, derivou-se o conceito de relação áurea,
que acabou por influenciar a beleza da arquitetura grega.
Numa divisão áurea, a parte menor está para a parte maior, assim como a parte maior
está para o todo. No retângulo da figura ao lado, por exemplo, podemos considerar a parte menor (a) e a parte
maior (b). Matematicamente, essa divisão será áurea se puder ser expressa por: a / b = b / (a + b).
Resolvida essa equação, verifica-se que a parte maior (b) deve ser 1,6 vezes a parte menor (a). O próprio
formato da foto 35 mm, cujo negativo é de 24 x 36 mm, portanto com o comprimento igual a 1,5 vezes a largura, segue
praticamente uma relação áurea.
A relação áurea oferece um guia para a composição do espaço fotográfico.
Esse espaço, representado pelo retângulo do visor, pode ser dividido de diferentes formas. Costuma-se dividi-lo
de tal forma que cada uma das partes seja 1,6 vezes a outra. Na prática, faz pouca diferença se aproximarmos o
valor de 1,6 para 2, sendo muito mais fácil visualizar uma proporção de 1:2. Assim, costuma-se dividir a
imagem em três partes horizontais e três partes verticais iguais, de forma que qualquer uma das partes esteja na
proporção de 1 para 2 com o restante (conforme figura), no que chamamos de "Regra dos Terços". Obtemos
uma imagem agradável quando distribuímos os elementos de composição de maneira equilibrada entre
essas partes, seja na horizontal ou na vertical.
Assim que nos é apresentada qualquer imagem, temos a tendência quase universal de observar primeiro pontos
bem determinados da mesma. Esses pontos são, exatamente, aqueles em que as linhas da divisão áurea se
encontram, ou seja, praticamente nos terços da imagem, que na figura acima denominamos "pontos fortes". São
pontos que devem ser explorados na composição e que exploraremos nas próximas Dicas.
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