Uma câmera de foto-sub sem flash fica muito limitada: se utilizada a profundidades
superiores a 3 metros, resulta em fotos monocromáticas azuis, quase sem contraste. Porisso,
por mais simples que seja o equipamento a adquirir, é importante que tenha conexão
com flash.
Por outro lado, a luz do flash se difunde nas partículas que sempre existem,
até mesmo nas águas mais claras, causando "bolas de luz", que arruinam a
qualidade da foto. A saída, para isso, é utilizar o flash com o eixo formando
ângulo bem aberto em relação ao eixo da objetiva da câmera. Dessa forma,
a luz que reflete nas partículas desvia-se para longe da câmera.
Em resumo: adquira uma câmera equipada com flash, mas que este possa ser deslocado para longe da objetiva. Para isso é necessária uma conexão flexível; um flash embutido na frente da câmera não serve (se existir, precisa ser cegado).
Os equipamentos mais frequentemente utilizados pelos fotógrafos-sub podem ser classificados em duas categorias:
câmeras anfíbias (tais como a Nikonos V, da Nikon, ou a Motormarine II, da Sea&Sea) ou
caixas estanques que abrigam câmeras convencionais (tais como as fabricadas pela Ikelite, pela
Sea&Sea ou pela Aquavision). As câmeras anfíbias são mais compactas e mais
simples de operar, o que é uma grande vantagem num ambiente onde tudo se move e nós
nos movemos com dificuldade. As caixas estanques, por outro lado, permitem utilizar os recursos
sofisticados das câmeras convencionais (como o auto-foco das modernas SLR's da Nikon, da
Canon ou da Minolta), conduzindo, geralmente, a melhores resultados. Particularmente, a macro-foto
se beneficia do foco automático, na medida em que dispensa a haste de distanciamento e a
moldura de enquadramento. Mas também a foto de distância se beneficia da maior
disponibilidade de objetivas para as câmeras convencionais.
Por essas razões,
fotógrafos iniciantes, que estejam dispostos a pagar pelo preço mais alto do conjunto,
tendem a começar pela caixa estanque, principalmente quando já possuem uma câmera
convencional. Segundo nossa experiência, essa, geralmente, não é uma boa decisão.
A caixa estanque é muito mais difícil de operar que as câmeras anfíbias,
levando o fotógrafo a desanimar ou mesmo a desistir da foto-sub. Julgamos mais sensato iniciar
e adquirir habilidades com uma anfíbia para depois passar para a caixa estanque. Afinal, o
que determina a qualidade da foto é o fotógrafo, não o equipamento!
Não existe o melhor flash, mas sim o mais adaptado à aplicação que pretendemos. Assim, se vamos utilizar uma
objetiva grande angular, precisamos de um flash com ângulo igual ao da objetiva ou, de
preferência, maior (para compensar o desalinhamento usual entre os eixos da objetiva e do
flash). Para uma objetiva 15 mm de 94 graus, precisamos, ao menos, de um flash com ângulo de
iluminamento de 100 graus. Por outro lado, se vamos fazer foto de aproximação,
precisamos de um flash com pequeno ângulo mas elevada potência (número-guia),
para poder trabalhar com diafragmas bem fechados e, portanto, ganhar profundidade de campo. Como
veremos mais adiante em nossas dicas, fotos de distância precisam de potência reduzida
para poder equilibrar a luz do flash com a luz ambiente. Esse paradoxo parece não ter sido
visualizado pelos fabricantes, que insistem em fazer fashes de grande ângulo com elevada
potência e de pequeno ângulo com baixa potência. Claro que sempre podemos utilizar
o flash de grande ângulo e elevada potência tanto em fotos de distância (esbanjando
potência) como em fotos de aproximação (esbanjando ângulo). O problema
é que esses flashes são muito caros. Uma saída razoável para esse problema
é começar com um flash pequeno, fazendo apenas fotos de aproximação (que,
diga-se, é aquela que permite obter melhores resultados com pouca experiência) e, depois,
obter um segundo flash pequeno (e um cabo duplo de sincronização), para aumentar a
potência na pequena distância e o ângulo na grande distância. Neste
último caso, é preciso experiência para posicionar os flashes de forma a cobrir
adequadamente o ângulo da objetiva.
Por último, um pouco sobre as marcas. Atualmente, apenas três fabricantes fazem
flashes em grande escala, tornando-os acessíveis ao mercado brasileiro: o norte-americano
Ikelite e os japoneses Nikon e Sea&Sea. Ikelite é o flash mais barato e de eletrônica
menos confiável (pode deixar de disparar depois de um certo tempo de uso). Para quem quer
gastar pouco, pode valer a pena arriscar. Nikon é o mais confiável e o mais caro.
Seu maior problema é a falta de opções, hoje limitadas a apenas dois modelos
(SB-104 e SB-105) e arriscadas a sair do mercado em breve. A Sea&Sea tem um bom balanceamento
entre preço e qualidade, com a vantagem de ter, como a Ikelite, uma grande gama de
opções; produz flashes para suas câmeras próprias, para as câmeras
Nikonos e alguns duais (dedicados a ambas).
Estamos presenciando um rápido desenvolvimento das câmeras digitais. Num futuro próximo, é
possível que elas dominem não apenas o mercado de caixas estanques, mas o próprio
mercado de câmeras-sub.
As digitais armazenam imagem numa memória eletrônica que
pode ser interna ou removível (pequenos cartões como CompactFlash, MultiMedia ou
MemoryStick), em lugar do filme à base de prata, para posterior tratamento em computador
ou análise em monitor de TV. Para converter a imagem óptica em sinais digitais,
além dos CCD's, velhos conhecidos das câmeras de vídeo, recentemente foram
lançados os CMOS, que baratearam muito as câmeras (embora ainda com qualidade inferior
aos CCD's). As principais vantagens das câmeras digitais como equipamento-sub são:
(a) permitem observação imediata dos resultados, para correção de erros
(importante quando se está em uma ilha isolada, após uma viagem que custou milhares
de dólares); (b) armazenam grande número de imagens (até mil, em alguns modelos,
dependendo do cartão de memória e da taxa de compressão usados), podendo-se
adquirir cartões adicionais, para uso prolongado no campo, longe do computador; (c) podem
dar reprodução precisa, já que cada cópia de arquivo digital, equivale
ao original (a menos da descompressão do formato jpeg); (d) permitem retoque eletrônico
das imagens, mais eficaz que aquele feito em laboratório (eventualmente, até
manipulação da imagem).
Atualmente elas podem ser classificadas em três grandes categorias: modelos de baixa
resolução, abaixo de 2 milhões de pixels, para uso caseiro ou para área
de documentação de empresas; modelos de alta resolução, até 4
milhões de pixels, com objetiva fixa; e modelos de superalta resolução (que
hoje vão a 6 milhões de pixels), com objetiva cambiável. Se, por um lado, isto
permitiria que usássemos as objetivas que já possuimos, o problema destas últimas
é que custam de 3 a 10 mil dólares e, portanto, ainda não viabilizaram a
fabricação de caixas estanques acessíveis. Caixas estão sendo
construídas principalmente para os modelos intermediários, dentre os quais as
várias séries da Nikon Coolpix, para as Canon séries G e S, para as Kodak DC,
para as Olympus D e para uma infinidade de Sony's Mavica e DSC. Antes de se decidir por uma delas,
sugerimos consultar os fabricantes de caixas através de nossos Links.
Uma boa opção é adquirir um modelo de 3,3 megapixel, que, atualmente, pode
custar menos de 500 dólares e permite gerar um arquivo de 18cm X 24cm a 300 dpi, adequado
para publicação.
O grande problema das digitais é que são verdadeiras devoradoras de bateria,
quando operam com o monitor ligado e isso costuma ser uma premissa dos construtores de caixas
estanques. Outro problema é que dependem de um pre-flash para poder calcular adequadamente
a exposição por TTL, razão pela qual a maioria das fotos digitais publicadas
foram feitas sem flash. Apesar disso, nossa opinião é que já chegou o momento
de adquirir uma digital, mesmo que seja para começar usando fora da água. Cada um
pode imaginar a infinidade de aplicações, quando se pode dispensar o laboratório
fotográfico! Um bom site para comparar dados técnicos e preços:
www.imaging-resource.com.
Antes de mais nada, achamos importante esclarecer:
uma caixa estanque dá um bocado a mais de trabalho do que uma câmera estanque, como
uma Nikonos ou uma Sea&Sea. Não deve ser a opção para quem quer apenas fazer
uma fotografia descompromissada, sem muito trabalho. Outro alerta: para adquirir um conjunto SLR
de 35 mm (universalmente usado pelos fotógrafos-sub), prepare-se para gastar milhares de
dólares. As caixas estanques nacionais são feitas para vídeo ou para foto de
surf, não existindo tradição de caixas para foto-sub. Das importadas, as mais
baratas custam mais de US$ 600, no exterior. Deve-se acrescentar os ports adicionais (cerca de
US$ 200 cada), a câmera e suas objetivas (cerca de US$ 1000) e o conjunto de flash (cerca
de US$ 500).
As caixas podem ser classificadas em duas categorias: metálicas e plásticas.
As primeiras são mais robustas e mais caras. Marcas principais: Sea&Sea, Aquavision, Seacam e
Subal. As últimas são mais baratas, principalmente quando feitas em grande quantidade,
como é o caso das Ikelite, fabricadas em Lexan, um plástico transparente. A robustez
não é um requisito essencial para o amador. Entretanto, o item em que as caixas da
Ikelite deixam a desejar é a imprecisão no encaixe das peças, o que exige uma
boa dose de paciência para montá-las. Antes de comprar uma caixa, é importante
definir com que equipamentos (câmera e objetivas) ela vai ser usada. Depois, sugerimos consultar
nossos Links de fornecedores para selecionar a caixa e acessórios.
Do ponto de vista óptico, a peça mais importante da caixa estanque é a
lente dianteira (port), seja ela plana ou domo. Não é simplesmente um vidro de
vedação, mas um componente óptico que altera a imagem (refração
dos raios de luz que a atravessam). Por isso, sua qualidade, curvatura e posição em
relação à câmera devem ser cuidadosamente projetadas pelo fabricante. A
rigor, cada objetiva exige um port específico. Com as objetivas longas (normalmente 60 mm
ou 105 mm), usadas para macro, costuma-se usar ports planos. Com as grande-angulares (comum: 20 mm),
são usados domos hemisféricos, o mesmo acontecendo com as zooms. Um domo sempre forma
uma imagem virtual, que fica mais próxima da lente que o objeto, porém com tamanho
aparente menor. Dentre os domos mais comuns - os de 8 polegadas e os de 6 polegadas de raio de
curvatura - estes últimos formam imagens virtuais menores e mais próximas. Isso
é particularmente problemático com objetivas zoom, para as quais o foco mínimo
é muito distante. Assim, para permitir focalizar um objeto próximo, torna-se
necessário rosquear uma lente de aproximação na frente da objetiva. Para os
domos de 6 polegadas, a imagem virtual estará, quase sempre, entre 20 e 40 cm da lente
qualquer que seja a distância do objeto. Numa próxima Dica pretendemos desenvolver
uma equação que permita calcular quando a lente de aproximação é
necessária.
A primeira dúvida que surge, ao adquirir uma caixa estanque, é:
Preciso de um port plano ou de um domo?
Embora existam diversos argumentos para cada caso (tipo: o port plano aumenta a imagem do objeto,
enquanto o domo diminui; mas a saturação de cores do domo é melhor), a
questão essencial é o ângulo máximo da objetiva que o port plano pode
acomodar: leve sua objetiva do foco mínimo ao infinito (posição mais recuada
que ela assume) e meça seu deslocamento; desenhe um port ideal que acomode exatamente esse
deslocamento (ou deixe uma pequena folga, considerando um port real); se o ângulo da objetiva
em infinito, nesse desenho, cruzar com a boca do port, ocorrerá vinhetamento, sendo
necessário um domo. Além disso, lembre que objetivas com ângulo de mais de 97
graus só podem ser usadas com domos, porque a partir desse ângulo ocorre reflexão
total em superfícies planas.
Uma vez decidido pelo domo, a pergunta seguinte é: Preciso de uma lente de
aproximação rosqueada à frente da objetiva?
A lente é necessária quando a imagem virtual formada pelo domo é mais
próxima que o foco mínimo da objetiva. Quanto menor o raio de curvatura do domo,
mais próxima a imagem se forma do mesmo. Para calcular a posição da imagem
virtual, existem equações bastante complexas. Para as condições mais
usuais, entretanto, a equação simplificada abaixo se aplica com erro inferior a 1%,
para objetos situados no infinito:
D = 3 x R - 4 x e, onde: (D) é a distância entre a imagem virtual formada e a frente
do domo, (R) o raio de curvatura médio do domo e (e) a espessura do domo.
Assim, para um domo bastante comum de R = 8 polegadas, e = 1/2 polegada, a imagem se forma a 22
polegadas ou cerca de 55 centímetros (erro inferior a 0,55 centímetro). Comparando
com algumas objetivas reais, uma Canon50 (foco mínimo de 22 cm) enxerga essa imagem com
facilidade, mas uma Canon28-105 (foco mínimo de 70 cm) precisa de óculos para corrigir
sua "presbiopia", ou seja, precisa da lente +4.
NOTA: Costumamos dizer que as objetivas zoom são como o pato, que anda, nada e voa, mas
não faz nada disso muito bem. Uma zoom é capaz de fazer um bocado de coisas, mas com
limitações. Uma delas é o foco mínimo, que é geralmente mais
afastado que o das respectivas objetivas fixas.
O surgimento de câmeras digitais, no mercado de foto-sub, está proporcionando grande disponibilidade de
equipamentos convencionais usados, para venda a baixo custo. Os mais facilmente encontrados são aqueles que, durante
anos, se constituíram na base do mercado desses equipamentos: a Nikonos V (Nikon) e a Motormarine II (Sea&Sea). Neste
artigo damos dicas de como selecionar uma Motormarine II e, no próximo, pretendemos fazer o mesmo para a Nikonos V.
Por um lado a Motormarine é uma câmera muito versátil, pois permite instalar conversores de lente
debaixo d'água e possui flash embutido para uso fora d'água. Por outro lado é uma câmera
frágil, por ser quase que completamente fabricada em plástico. Do ponto de vista de vedação das
sedes dos o-rings, isso é uma má notícia – já que qualquer descuido pode permitir um riscado
irreversível – e uma boa notícia – já que o plástico é imune à corrosão.
As sedes de vedação, a serem inspecionadas quanto a riscos, são o encaixe da tampa traseira e o
encaixe das pilhas. Não esqueça de observar também a ranhura onde o o-ring fica instalado, principalmente
no porta-pilhas. Aproveite para ver se a orelha de travamento do porta-pilhas está íntegra. Ela quebra com muita
facilidade e você pode não perceber, porque o conjunto se solta somente quando está com o peso das pilhas
instaladas. Outro ponto que quebra com alguma freqüência é o beiral da ranhura do o-ring na tampa traseira, sofrendo
uma rachadura longitudinal, que lhe faz perder a vedação.
Verifique possíveis sinais de alagamento anterior. O mais comum é o refletor do flash sem brilho ou
esbranquiçado. Outra pista é o flash que não dispara mesmo com pilhas novas. Quando isso é
resultado de alagamento, às vezes o obturador também não abre, mesmo quando o motor de avanço
gira normalmente. Este é um perigoso caso de “levar gato por lebre”, já que parece que a câmera está
operando normalmente, mas não fotografa. Na verdade, o flash embutido é de utilidade quase nula na foto-sub.
Somos de opinião de que, se os demais requisitos da câmera estiverem satisfatórios e o preço de
venda compensador, pode valer compra-la mesmo sem o flash interno. Neste caso, entretanto, é importante que o flash
externo esteja operando bem, quando acionado pela câmera.
Agora é importante analisar possíveis sinais de que a câmera está há muito tempo sem
manutenção. Uma das primeiras conseqüências é o botão de foco que começa a prender no
o-ring e não permite que a lente de close up atinja sua posição final. Leve o foco para a
posição CU, abra a tampa traseira e verifique se a pequena lente instalada por trás do obturador ficou
com a borda atravessada no furo, possível sinal de o-ring sem manutenção. Outro sinal é o
botão disparador atuando de forma errática ou exigindo muita força para ser acionado. Isto tanto pode
ser sinal de o-ring incrustado como de alagamento anterior, que enferrujou as alavancas internas do disparador.
Se tiver oportunidade de testar a câmera com filme, fotografe objetos nítidos, ao sol, a diferentes
distâncias. Revele e analise o resultado quanto ao foco. A objetiva é extremamente sensível à
posição em que é instalada e uma manutenção mal feita pode deixá-la fora de foco.
Esta é a oportunidade de verificar também se o rebobinador está operando bem. É uma falha
tão comum na Motormarine, que vale a pena usar um filme de teste só para ver se rebobina bem. Se tiver um flash
externo disponível, aproveite para ver se o TTL está operando bem. Dispare o flash com o visor tapado e observe
seu descarregamento total. Depois dispare o flash de frente para a câmera e observe a confirmação do TTL,
bem como sua rápida reciclagem. Se o flash não disparar, o problema pode estar na câmera, mas pode
também estar no flash.
Por ser construída em plástico, menos sujeito a corrosão que o metal, a Motormarine não
precisa de revisão anual. Entretanto é seguro revisar seus o-rings periodicamente, antes que os sinais descritos
acima comecem a aparecer. Para uso médio, sua manutenção bienal é satisfatória. Na
Azumarinho prestamos esse serviço.
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