Uma das principais causas de alagamento de equipamentos é a formação
de cristais da água salgada que seca nos anéis de vedação (o-rings),
principalmente de câmeras metálicas, como as Nikonos. Neste último caso
ocorre, ainda, reação dos sais com o metal, formando incrustrações
de estrutura química semelhante à do concreto.
Regra básica: Nunca deixe água salgada secar nos o-rings.
Relacionamos abaixo sugestão de procedimentos que permitem atender essa regra básica:
1. Mantenha o equipamento molhado, até poder lavá-lo com água doce;
alguns fotógrafos o embrulham na roupa de mergulho, outros o transportam em um recipiente
com água, mesmo que salgada.
2. Ao lavá-lo, procure tirar a água salgada dos o-rings onde ela penetrou
sob pressão: botão de disparo, botão rebobinador, botão de foco,
seletor de velocidades, botão de aberturas etc. Isso só é possível
dando jatos de água nesses pontos ou agitando o equipamento, vigorosamente, dentro da
água doce. Deixar de molho pouco adianta.
3. Remover os o-rings de acesso (tampa traseira, objetiva, conexão de flash etc),
limpá-los e, principalmente, limpar as sedes dos mesmos. A finalidade, neste caso,
não é remover sujeira, mas sim a água salgada acumulada nessas ranhuras.
Já que os o-rings foram removidos, convém guardar os equipamentos sem eles,
para a borracha não sofrer deformações.
Quanto ao item 2 acima, é importante saber que nunca se consegue remover completamente a água salgada dos pontos mais escondidos. Porisso, é necessário levar os equipamentos para manutenção de rotina ao menos uma vez por ano.
Temos recebido, para reparo, uma quantidade significativa de SB-105 com o mesmo tipo de
problema: plug de conexão do cabo rompido! A causa tem sido o soldamento entre esse plug
e o terminal do cabo por produto de corrosão. O soldamento ocorre porque as roscas são
de alumínio - sensível à água salgada - e extremamente finas.
Ao tentar desrosquear à força, o plug, que tem uma trava muito frágil,
se rompe. Em alguns casos, o clipe metálico que trava o plug se solta, causando curto
no circuito interno do flash: uma consequência drástica e cara!
Solução:Sempre que terminar de lavar o equipamento, SOLTE o cabo e lubrifique as roscas. Não acredite na frase "quanto menos mexer, melhor" (veja na dica anterior o porque).
Periodicamente, antes de colocar filme na câmera, convém realizar alguns
testes para verificar o desempenho do equipamento.
a) Verificação da calibração do fotômetro (regra do f16).
Se fixarmos o diafragma em f16 e tomarmos um objeto de refletividade média (cinza-padrão),
iluminado sob sol intenso, o número que expressa a velocidade deve ser aproximadamente igual
ao número que expressa a sensibilidade do filme. Exemplo: com filme 100 ASA, a velocidade
será 100 ou, aproximadamente, 125 quando se fixa f16.
b) Verificação do controlador de tempo do obturador.
Colocar a câmera em exposição automática, prioridade diafragma,
tapar a objetiva, impedindo que entre luz para o fotômetro, e disparar. Se o circuito controlador
estiver operando bem, o obturador deve ficar aberto por muitos segundos (no caso da Nikonos V, o
obturador fica aberto ao menos dez segundos se a bateria estiver em bom estado, o que serve,
também, para verificar a bateria). Para evitar drenagem da bateria, desligar a câmera
logo em seguida(o obturador deve voltar a se fechar).
c) Verificação do controlador TTL do flash.
Disparar o flash, ajustado para TTL, apontando para a objetiva da câmera; a luz deve piscar
brevemente e o flash recarregar de imediato. Disparar de novo, com a objetiva tapada; o flash deve
indicar descarga com potência total e demorar mais para recarregar do que no caso anterior.
Diferentemente do teste do controlador de tempo do obturador, a câmera dispara com a velocidade
de sincronismo.
d) Verificação da bateria da câmera.
Em algumas câmeras, como a Nikonos V, após se pressionar o botão disparador,
o visor só permanece aceso por algum tempo se a bateria estiver em bom estado. Para a Nikonos,
esse tempo é de 16 segundos. No caso das Sea&Sea, existe uma luz verde no visor, indicadora
do estado da bateria.
Existe um conceito, enganado, de que,
em qualquer caso de inundação do equipamento de foto-sub, a solução
é lavar imediatamente com água doce. Na verdade, as primeiras medidas podem ser muito
menos radicais do que isso. Frequentemente a inundação se dá pela tampa traseira
da câmera ou do flash e um simples enxugamento dessa área com cotonete ou cartão
de visitas de cartolina (enfiado entre o corpo da câmera e o miolo) pode resolver completamente
o problema. O importante é analisar detalhadamente como se deu a inundação e
tomar, de imediato, apenas a medida necessária e suficiente. Depois - tão cedo quanto
possível - enviar o equipamento para manutenção. Nós, da Azumarinho,
podemos lhe prestar esse serviço.
É bem verdade que a pronta lavagem com água destilada, seguida de IMEDIATA secagem
de todos os cantinhos do mecanismo interno, resolve qualquer problema; mas isso nem sempre é
fácil de fazer. O problema é que a cultura que se instalou é: "lavou, tá
nova!" e, assim, o feliz proprietário lava e deixa seu equipamento guardadinho até
o mês ou o ano que puder levar pra revisão, quando, então, descobre que a umidade
continuou fazendo seu trabalho até destruir um circuito que custa uma ou duas centenas de
dólares. Na verdade a câmera fica tão deteriorada internamente, que dificilmente
compensa recuperá-la. Claro que, algumas vezes, a única solução
possível é a radical: lavar tudo com a melhor água que se tiver disponível.
É o caso, por exemplo, de se ter a câmera completamente inundada, a ponto de ter alguns
peixinhos pulando dentro dela! A melhor água a utilizar é a destilada, se estiver
disponível. Se não, vai água de torneira, de bica, de poço ou o que
de melhor se tiver à mão. O passo seguinte é revisar completamente a câmera
o mais cedo possível. Se puder revisar no mesmo dia da inundação, achamos
até que a lavagem é dispensável.
Durante o mergulho, é importante evitar que corrente elétrica passe pelo circuito
inundado. Pessoalmente, temos o hábito de mergulhar com o equipamento desligado e só
ligá-lo quando chegamos à profundidade de trabalho, depois de checar se não
há nenhum sinal de inundação. Se vier a inundar, desligar!
A resposta não é óbvia. Tomemos, como exemplo, a conexão
entre o corpo e a objetiva das Nikonos, do tipo baioneta, comum a muitas câmeras e caixas.
Como o aumento da pressão da água empurra a objetiva para dentro, essa conexão
deve ter liberdade para se movimentar. Por isso, o flange de conexão das objetivas Nikonos
possui molas que permitem esse movimento para dentro e para fora, ao mesmo tempo em que tracionam
a objetiva para próximo ao corpo da câmera. À medida que se aprofunda, durante
o mergulho, a objetiva fica cada vez mais pressionada contra o corpo. A dez metros de profundidade,
por exemplo, a objetiva de 35 mm fica submetida a uma força equivalente a 30 quilos, sendo
difícil puxá-la para fora (caso alguém, sofrendo de narcose precoce por
nitrogênio, queira tentar essa loucura). Considerando que na parte rasa do mergulho a força
sobre a objetiva é muito pequena, as objetivas ficam mais sujeitas a se deslocar para fora
e, consequentemente, a perder vedação. Isso ocorre principalmente com as objetivas
longas (como as 15 mm, 20 mm ou 80 mm), que possuem selagem mais rasa para o anel de
vedação. Além disso, por serem mais pesadas e mais longas, tornam-se
alvos fáceis de batidas e choques durante o mergulho ou, ainda pior, podem ser agarradas
pela equipe de apoio que nos aguarda no barco para recolher nosso equipamento.
Por similaridade,
todo dispositivo que veda por compressão, tem maior probabilidade de vazar na parte rasa do
mergulho. Em contrapartida, outras conexões, como a porta dianteira de algumas caixas
estanques, são do tipo rosqueado. Ao contrário da baioneta, a rosca não se
movimenta com o aumento da pressão. A compressão que for dada sobre o o-ring antes de
mergulhar permanecerá a mesma em qualquer profundidade. Ao contrário do caso anterior,
uma rosca mal apertada falha a profundidades maiores. Por isso, é muito importante
rosqueá-las completamente na fase de preparação do equipamento.
Quando o flash deixa de disparar, frequentemente vem a pergunta: Onde está o
problema, no flash, na câmera ou no cabo de sincronização entre ambos?
Para localizar a origem desse tipo de problema, podem-se adotar os seguintes passos: desconectar
o cabo no soquete da câmera e curto-circuitar (com uma tesoura ou pinça metálica)
os contatos de disparo no cabo; se disparar, o problema é na câmera; se não,
desconectar o cabo no soquete do flash e curto-circuitar os contatos de disparo no flash; se
disparar, o problema é no cabo; se não, o problema está no flash.
Na figura ao lado, exemplificamos
os contatos de disparo que devem ser curto-circuitados no soquete do cabo para a câmera
Nikonos V, no soquete do flash Nikonos SB-105, no soquete do flash Ikelite e no soquete do cabo
para a câmera Sea&Sea. Em todos os casos, devem-se interligar os contatos de números 2 e 3.
Para outros modelos de flashes, deve-se verificar previamente quais são os contatos de
disparo equivalentes. O medidor de continuidade pode ser usado para descobrir quais são os
contatos de disparo do lado do flash, desde que se conheçam os contatos de disparo do lado
da câmera, já que permite verificar quais os contatos numa extremidade do cabo que
correspondem aos da outra extremidade.
ATENÇÃO: Muito cuidado para não colocar em curto os contatos não numerados da
figura, que comandam o controle TTL, o que pode danificar o respectivo circuito.
Nos equipamentos de foto-sub, existem alguns o-rings inacessíveis ao usuário, tais
como os que vedam os vários eixos de comando. É o caso, por exemplo, do eixo de
controle de diafragmas de uma caixa estanque. No caso da Nikonos V, existem dois o-rings no comando
de sensibilidade do filme, três no comando de velocidade de obturação e de
avanço do filme, um no disparador e um no fecho da tampa traseira, além de um especial
no flange de fixação de objetivas. Para atingi-los, é preciso desmontar boa
parte do equipamento. Embora esses pontos possuam sistemas de vedação reforçados
e utilizem graxas especiais e mais duráveis, ainda assim precisam de manutenção
periódica uma vez por ano ou mais frequentemente, se o equipamento é usado com grande
intensidade. As objetivas Nikonos, cujos eixos de comando possuem o-rings muito pequenos, suportam
períodos mais longos sem manutenção. Exceção é a objetiva
15 mm, que, por possuir dois o-rings grandes na janela de indicação, precisa de
manutenção anual.
Os flashes, que possuem o-rings instalados em sedes de plástico, menos sujeitas a
corrosão, podem passar longos períodos até que apresentem sinais de necessidade
de manutenção. Tais sinais podem ser botões rotativos de comando que se
apresentam "duros" ou reagem como se tivessem molas, tendendo a voltar após terem sido
ligeiramente girados, fruto de incrustrações que prendem o o-ring.
Na Nikonos V, o sinal mais precoce costuma ser o botão disparador que se recusa a voltar
depois de apertado. Não faz sentido esperar que esses sinais apareçam para fazer a
manutenção periódica, já que isso coloca em risco a vedação
do equipamento. Aqui, na Azumarinho, nós prestamos esse serviço há cerca de
dez anos. A manutenção preventiva de uma Nikonos V, por exemplo, custa cerca de dez
porcento do valor da câmera, enquanto que o custo de reparo de uma câmera completamente
inundada pode chegar quase a seu valor total (caso em que desaconselhamos o reparo).
Temos recebido, para reparos, câmeras Nikonos V que sofreram sérios danos porque foram despachadas, por via
aérea, de forma inadequada. Para entender a razão dos danos, é preciso lembrar que os equipamentos de
foto-sub (todos, não apenas as Nikonos V) são projetados para sofrer pressão de fora para dentro, mas
não de dentro para fora. Assim, por exemplo, a tampa traseira da Nikonos V assenta fortemente contra o resto do corpo
quando sofre pressão externa. Para resistir a uma pressão de dentro para fora, entretanto, a tampa conta apenas
com a pequena trava do fecho, que é muito frágil e projetada apenas para resistir à expansão do
o-ring.
Quando se despacha uma câmera para o compartimento de cargas de um avião (eventualmente, até mesmo
na cabine de passageiros), com todos os o-rings instalados, fica retida, dentro da mesma, a pressão atmosférica.
Entretanto, no lado externo, a pressão é sub-atmosférica, estabelecendo-se um esforço de dentro
para fora. Numa das Nikonos V que recebemos, esse esforço foi tão grande que, além de romper a trava da
tampa, as palhetas do obturador foram sugadas para fora da câmera. Um reparo bastante caro!
Existe um conceito de que as câmeras devem ser mantidas com o-rings reservas, para protegê-las da umidade
ambiente. Não vemos razão para isso, já que as câmeras convencionais, dotadas de circuitos
eletrônicos muito mais complexos, não possuem sistemas de vedação. Outros acham que os o-rings
são necessários para evitar atrito entre as partes de vedação do equipamento (câmera ou
caixa estanque). Durante mais de 20 anos armazenamos e transportamos nossos equipamentos sem o-rings. Da mesma mesma forma
sabemos de muitos outros que também o fazem, sem nenhum relato conhecido de danos nas sedes de vedação.
Em resumo, nossa recomendação é armazenar e, principalmente, transportar os equipamentos de foto-sub
sem os o-rings.
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