Para transportar o equipamento entre mergulhos, preferimos levá-lo
completamente montado. Mas este é um assunto para uma próxima "dica".
Queremos tratar, aqui, do transporte em viagens aéreas.
Existem os seguintes fatores a considerar, alguns conflitantes entre si: volume e peso do
equipamento, fragilidade do mesmo, restrições das companhias aéreas para permitir
bagagem na cabine de passageiros e falta de segurança/confiabilidade nas áreas de
transporte de bagagens dos aeroportos. Para quem usa caixa estanque, o problema do volume/peso é
ainda maior. Tentamos conciliar esses conflitos envolvendo cada peça do equipamento com uma
camada fina de espuma e colocando todas as peças de cada fotógrafo em uma única
mala, cujas dimensões não ultrapassem o limite das companhias para transporte em cabine.
Preenchemos os vazios entre peças com pedaços adicionais de espuma, de forma que
não haja movimento entre elas.
Usamos dois tipos de mala: uma mala de plástico
rígido, convencional, com rodinhas e cabo retrátil e uma mala Pelikan,
específica para equipamentos de mergulho. A mala Pelikan pode ser adquirida nas
lojas de mergulho ou de foto (exterior?) em variados tamanhos. Escolhemos uma de 50 X 43 X 22 cm
e usamos o enchimento de espuma apenas para preencher os vazios. A mala, em si, embora plástica,
é bastante pesada e, nessa dimensão, não vem equipada com rodas. Temos um
amigo que instalou rodas numa delas, com bom resultado. A mala Pelikan tem uma vantagem
sobre outras: tem tampa vedada com anel de borracha e um purgador do ar interno. Além de
manter os equipamentos livres de umidade, o purgador acaba sendo um item de segurança: o
pessoal que manuseia malas nos aeroportos em geral não sabe como abrir o purgador e, sem
abri-lo, depois que a mala esteve no vácuo do compartimento de bagagens do avião,
não há como abrir sua tampa. Além disso, ela tem dois olhais para
instalação de cadeado.
No mais, boa viagem e não se esqueça de
disfarçar o ar de sofrimento com o peso, ao passar pelos comissários de bordo.
Preparar uma viagem para foto-sub é bem mais complicado do que para um
passeio de turismo. Agrava-se o fato de que os melhores pontos de mergulho costumam ser exóticos,
como uma ilha isolada na faixa tropical dos Oceanos. É necessário um bom período
prévio de leitura para conhecer o local. A pesquisa mais importante é a de clima.
Existem regiões em que o mergulho é simplesmente impossível em parte do ano.
No sudeste asiático, por exemplo, as monções podem trazer chuvas e ventos
catastróficos. As revistas internacionais especializadas em mergulho não costumam
ser boa fonte de referência, já que, compromissadas com os anunciantes, dizem que o
mergulho é sempre bom o ano inteiro. Os grandes guias de turismo (Frommers, Lonely Planet etc.)
são mais confiáveis. Para quem consegue planejar com um ano de antecedência,
pode acompanhar o clima em tempo real através dos sites de tempo, como o Yahoo.weather.
Mas a melhor fonte é a experiência de quem já visitou o local.
Outra pesquisa importante a fazer é a de costumes e cultura local. Quando estivemos na
Jordânia, há muitos anos, a cultura era tradicionalista e a Eliana foi rechaçada
pelas senhoras por estar usando bermudas na rua da praia. Já em Yap (Micronésia),
nos surpreendemos ao chegar ao aeroporto e encontrar as senhoras com os seios nus. Depois nos demos
conta que as mulheres precisam vestir uma canga, logo que retornam do mergulho, porque as coxas
causam, nos homens de Yap, a mesma sensação que os seios na cultura ocidental. Fatos
como esses definem o planejamento do vestuário.
Quanto ao acondicionamento para transporte do equipamento de foto-sub, sugerimos ler nossas
Dicas Anteriores. Atualmente aquelas sugestões estão agravadas pelo atentado de
11/09/01, que tornou as restrições para transporte em cabine muito mais rigorosas.
Se o equipamento for mais do que uma simples câmera e suas objetivas, sugerimos procurar
acondicionar para despachar a bagagem, porque dificilmente a fiscalização deixará
passar, em mãos, peças suspeitas como tubos de aço e baterias.
Numa próxima Dica, pretendemos abordar a escolha do local de mergulho e o contacto com
as operadoras.
A escolha do local para os próximos mergulhos depende de um bom
número de fatores pessoais: limite orçamentário, informações
anteriores, perfil aventureiro ou conservador e acesso às facilidades locais, dentre outros.
As pessoas costumam descartar os mergulhos na Ásia/Oceania sob o argumento de que a
viagem aérea é muito cara. Considerando viagem em classe econômica, julgamos
que a diferença entre uma viagem com uma parada intermediária ao Caribe não é
muito diferente de uma viagem em tarifa especial ao Oriente. Para uma estadia de trinta dias, o que
realmente pesa no orçamento é a diária do hotel. Se a escolha for por um
live-aboard claro que a diária é muito alta. Mas é igualmente alta a
diária de um live-aboard no Caribe.
Quanto às informações disponíveis sobre os pontos de mergulho, a
grosso modo, êles podem ser agrupados nas regiõs que se seguem. Para os mergulhos
no Brasil existem alguns sites na Internet que resumem a maioria dos locais (Arvoredo-SC; Laje de
Santos-SP; Angra, Arraial e Búzios-RJ; Guarapari-ES; Abrolhos e Salvador-BA; Noronha,
Naufrágios de Recife e Serrambi-PE; Cavernas do Centro-Oeste etc). Para os mergulhos do Caribe
e Bahamas sugerimos consultar Belize, Bonaire, Cozumel, Cuba, Ilhas Cayman, Ilhas Virgens, Key Largo,
Nassau (tubarões) e Roatan. Para o Oceano Índico, Ilhas Maldivas, Ilhas Similan
(Tailândia) e Parque Watamu (Kenia). Para o Mar Vermelho, Sharm-el-Sheik e costa do Sudão.
Para a Oceania, todo o Mar de Corais da Austrália e Biak em Papua-Nova Guiné. Para
o Pacífico Leste os pontos a serem pesquisados são Havai, Sul da Baja California e
Galápagos (eventualmente Ilhas do Canal-USA, para quem gosta de águas frias). Para
o Pacífico Sul, a Polinésia Francesa e as Ilhas Fiji. Finalmente, no Pacífico
Oeste, um bom número de novos mergulhos nas Filipinas, Palau, Yap e Truk na Micronésia,
Sipadan na Malásia e, na Indonésia, Bali, Sulawesi e Wakatobi, este último,
recém descoberto, para quem gosta de mergulho pioneiro.
Alguns dos locais acima são de fácil acesso e estão bem estruturados,
casando com quem não gosta de correr riscos. É o caso da região Caribe/Bahamas.
Outros exigem espírito aventureiro. É o caso, por exemplo, de Biak, onde se tem que
conviver com canibais nas proximidades. Importante pesquisar antes de ir!
A chave do sucesso da viagem é a operadora de mergulho do local. Muitos deles são
resorts, que incluem a própria operação de mergulho, enquanto em outros esta
é separada. É muito importante pesquisá-la e contatá-la com boa
antecedência. Para isso a Internet é, hoje em dia, uma ferramenta muito útil.
Para o Brasil, como já dissemos, existem sites que resumem as operações. Para
o exterior, sugerimos usar nossos Links de operadoras, com a maioria das
quais já tivemos alguma experiência.
Aqui vai uma questão polêmica: qual o melhor local de mergulho?
Certamente a resposta é tão uníssona quanto a do melhor time de futebol. Mas
mesmo com o risco de receber todas as críticas, não vamos nos furtar de "dar a
cara a tapa", porque julgamos que nossa opinião pode ajudar na decisão de outros.
Abaixo relacionamos os pontos de mergulho que, na nossa opinião, são os melhores em
cada categoria que classificamos. Claro que nossa opinião pode ter sido influenciada por
condições temporais - como clima, visibilidade da água ou mesmo receptividade
ao turismo - que nem sempre se repetem. Como exemplo, lembramos que, numa visita a Nassau, nas
Bahamas, fomos muito bem recebidos e na seguinte havia uma certa rejeição ao turismo
que muito incomodou ao grupo. De qualquer forma, nossas viagens sempre foram antecedidas de muita
pesquisa, quando procuramos, inclusive, nos informar sobre as características permanentes
dos locais. Nos próximos números destas "Dicas" pretendemos discorrer mais
sobre as razões destas nossas escolhas. Se voce discorda ou se tem argumentos para
reforçá-las, por favor escreva-nos
para nos ajudar e ajudar outros a tomarem suas decisões de viagem.
Mergulho brasileiro de melhor benefício em relação ao custo:
naufrágios de Recife (note que deixamos para trás lugares idolatrados como Abrolhos
e Noronha).
Melhor mergulho raso do mundo: Stingray City, em Grand Cayman (Caribe).
Mergulho mais selvagem: golfinhos de AKR/Roatan, caçando linguados (Honduras).
Mergulho mais emocionante: tubarão-baleia de Placência (Belize).
Mergulho mais eletrizante: tubarões de Nassau (Bahamas).
Mergulho mais relaxante: Bonaire, especialmente onde se segue o freedom diving (Caribe).
Mergulho mais completo: Palau, na Micronésia (Pacífico Norte).
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